OS BENEFÍCIOS DOS ALIMENTOS ORGÂNICOS
Por André Leu

 

Muitas pessoas compram alimentos orgânicos por acreditar que são mais saudáveis do que alimentos convencionais. A indústria orgânica é  constantemente informada de que não há evidências que possam sustentar estas reivindicações. O presente artigo volta-se para informações publicadas que mostram que o alimento orgânico é substancialmente mais saudável do que o alimento convencional.

Uma pesquisa publicada num estudo realizado em 2001 mostrou que as frutas e vegetais usualmente consumidos nos Estados Unidos possuíam em média a metade do teor vitamínico de seus semelhantes em 1963. O estudo foi baseado numa comparação de dados publicados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). 

Um estudo científico publicado na Revista de Nutrição Aplicada, em 1993, mostrou claramente que o alimento orgânico é mais nutritivo do que o alimento convencional. Durante um período de dois anos,na periferia oeste de Chicago, compraram-se maçãs, batatas, pêras, trigo e milho tanto de produção orgânica como de convencional, e estes produtos então eram analisadas quanto ao seu conteúdo mineral. Os alimentos de origem orgânica apresentaram, em média, 63% a mais de cálcio, 73% a mais de ferro, 118% a mais de magnésio, 178% a mais de molibdênio, 91% a mais de fósforo, 125% a mais de potássio e 60% a mais de zinco. Além disso, o alimento orgânico apresentou, em média, 29% a menos de mercúrio do que o alimento convencional.

Um artigo científico publicado na Journal of Agricultural and Food Chemistry (Revista de Química Agrícola e Alimentícia), em fevereiro de 2003, confirmou que milho e morangos orgânicos têm níveis significativamente mais altos de anti-oxidantes combatentes do câncer do que alimentos convencionais. Alguns desses compostos, como os flavonóides, são componentes fenólicos com grande capacidade anti-oxidante. Muitos são produzidos pelas plantas em resposta ao estresse ambiental, como insetos e plantas competitivas. São componentes protetores que atuam como defesa natural da planta e possuem também propriedades protetoras da saúde humana e animal. 

A pesquisa sugere que agrotóxicos e herbicidas interrompem a produção desses componentes protetores. Uma boa nutrição do solo parece elevar os índices desses componentes naturais que têm propriedades anti- cancerígenas, estimulantes do sistema imunológico e redutores dos efeitos de envelhecimento.

Outro estudo científico, publicado na European Journal of Clinical Nutrition (Revista Européia de Nutrição Clínica), constatou um nível maior de fitonutrientes em alimentos orgânicos. Dr. John Paterson e uma equipe da Universidade de Strathclyde, Reino Unido,mostraram que sopas de vegetais orgânicos contêm seis vezes mais ácido salicílico do que sopas de vegetais não-orgânicos. Ácido salicílico é produzido naturalmente pelas plantas como um componente protetor contra estresse e doenças. É responsável pela ação anti-inflamatória da aspirina e ajuda a combater o endurecimento das artérias e o câncer do intestino.

O nível médio de ácido salicílico em 11 marcas de sopas de vegetais orgânicos à venda na Grã-Bretanha foi de 117 nanogramas por grama, comparado com 20 ng/g em 24 tipos de sopas não-orgânicas. A concentração mais alta de ácido salicílico, 1,040 ng/g, foi encontrada na sopa de cenoura e coentro orgânicos, ao passo que não foi possível encontrar qualquer vestígio em quatro marcas de sopas convencionais.

Foram publicadas duas pesquisas abrangentes que comparam as diferenças entre alimentos orgânicos e convencionais. Ambas analisaram cerca de 40 pesquisas publicadas anteriormente. Uma das pesquisas foi realizada no Reino Unido e a outra nos Estados Unidos, independentes entre si. Ambas chegaram a conclusões similares de que existe a evidência esmagadora de que o alimento orgânico é mais nutritivo do que o alimento convencional. Um dos autores afirma, "em média, nossa pesquisa encontrou maiores índices de vitamina C, de minerais e de fitonutrientes - componentes da planta que podem ser efetivos contra o câncer. Também há menos água nos vegetais orgânicos, assim na ponta do lápis você terá mais cenoura nas suas cenouras".

Não é por acaso que a demanda dos consumidores por suplementos alimentícios cresceu na medida em que a quantidade de minerais e vitaminas contida no alimento provindo de agricultura convencional decaiu. Muitas pessoas não conseguem obter a quantidade e qualidade nutritiva necessária de alimentos cultivados com produtos químicos sintéticos. 

Patógenos

Num passado recente houve um certo número de teorias espalhadas pela mídia, dizendo que os alimentos orgânicos, por serem cultivados com esterco, conteriam níveis mais altos de patógenos perigosos. Ao serem investigadas, todas essas teorias provaram ser falsas e muitos dos veiculadores da mídia apresentaram suas desculpas publicamente por promover informações inexatas e enganosas.
É uma exigência de qualquer sistema de certificação orgânica que estrume animal seja compostado ou que duas rotações com culturas não-alimentícias cresçam num campo adubado antes que ele possa ser usado para culturas de baixo porte. De fato, uma reportagem feita pela UN Food and Agriculture Organization (Organização de Alimentos e Agricultura dos Estados Unidos) conclui que o manejo orgânico de boa qualidade reduz as infecções por Escherichia coli e micotoxinas nos alimentos: "Pode-se concluir que o manejo orgânico reduz potencialmente o risco de infecções por E. coli... Duas pesquisas relatadas por Woess mostraram que os níveis de aflatoxina M1 no leite orgânico são mais baixos que no leite convencional...Como o rebanho sob manejo orgânico recebe proporcionalmente maiores quantidades de feno, capim e silagem, a possibilidade de ração contaminada por micotoxinas levar à contaminação do leite, é reduzida." Mais adiante, a reportagem afirma que "as práticas de alimentação observadas no rebanho orgânico igualmente levam a uma redução da contaminação por produtos alimentícios de origem animal."  

Aditivos Alimentícios 

Na produção orgânica, é proibido o uso de antibióticos, antimicrobianos e hormônios ou outros indutores do crescimento. Onde animais são tratados com química veterinária, não é permitida a venda de seus produtos como sendo orgânicos. Igualmente o uso de químicos sintéticos, como conservantes, corantes, anti-oxidantes, etc. é proibido no processamento de alimentos orgânicos. 

Resíduos Químicos 

Vários estudos apontam que a maioria dos alimentos provindos de agricultura convencional contém resíduos de agrotóxicos e de outros produtos químicos. Testes repetidos mostram que muitos desses alimentos podem carregar em si um verdadeiro coquetel de venenos sintéticos. 

Um crescente conjunto de evidências científicas mostra que exposições freqüentes a coquetéis de pequenas quantidades de químicos sintéticos produzem uma série de efeitos adversos para a saúde. Um estudo publicado recentemente mostra que, por baixo, um décimo de parte por bilhão de algum herbicida comumente usado é capaz de danificar sistemas reprodutivos. Além disso, muitos cientistas acreditam que estas exposições a quantias diminutas de produtos químicos agrícolas já são bastante significativas tratando-se de crianças.

Uma pesquisa feita pelo U.S. Centers for Disease Control (Centros Norte-Americanos para o Controle de Doenças) revelou um coquetel de químicos tóxicos no sangue e na urina da maioria dos americanos submetidos aos testes. Outras pesquisas mostram que a maioria dos organismos vivos carrega um coquetel de química sintética fabricada pelo homem. Somente agora os cientistas estão começando a entender os efeitos prejudiciais de quantidades ínfimas dessas toxinas artificiais.

Pesquisas já publicadas demonstraram que muitos desses produtos químicos são conhecidos por danificar os sistemas hormonais, nervosos e imunológicos. O aumento em escalada de certos tipos de câncer como linfoma, leucemia e câncer mamário, uterino e da próstata está ligado a produtos químicos sintéticos agrícolas e outros. Ao mesmo tempo, um significativo conjunto de pesquisas científicas também liga estes produtos químicos ao aumento dramático de doenças auto-imunes como asma e a síndrome da fadiga crônica, sendo que o linfoma não-Hodgkin passou de um dos mais raros ao tipo de câncer que mais se difunde entre pessoas expostas às químicas agrícolas.

Uma detalhada análise científica de frutas e vegetais orgânicos, publicada na revista Food Additives and Contaminants (Aditivos e Contaminantes Alimentícios) mostrou que alimentos orgânicos têm significativamente menos resíduos agrotóxicos do que alimentos convencionais.

Estudos científicos de grande importância estão começando a revelar que comer alimentos orgânicos resulta, em humanos, em níveis mais baixos dessas químicas invasivas. Um estudo publicado na revista Environmental Health Perspectives (Perspectivas Ambientais de Saúde) revela que crianças alimentadas com alimentos orgânicos têm níveis mais baixos de certo tipo de agrotóxico em seus corpos. Pesquisadores da Universidade de Washington, que conduziram a pesquisa, concluíram que "A dose avaliada sugere que o consumo de frutas, vegetais e sucos orgânicos pelas crianças pode reduzir seus níveis de exposição a químicos, hoje acima do tolerado pela legislação - assim, as exposições seriam transferidas de uma situação de riscos incertos para uma situação de riscos insignificantes. O consumo de produtos orgânicos parece providenciar um caminho relativamente fácil para os pais poderem reduzir os níveis de exposição de seus filhos a agrotóxicos."

Nitratos

O uso de fertilizantes químicos solúveis tem resultado em altas concentrações de nitratos em muitos alimentos oriundos da agricultura convencional, especialmente frutas e vegetais. Vegetais folhosos podem ter as maiores concentrações. A lixiviação desses fertilizantes também tem resultado em níveis altos de nitrato em alguns sistemas de água potável no mundo todo. 

Teores elevados de nitratos nos alimentos e na água potável podem ser convertidos em nitrosaminas cancerígenas. Nitratos podem prejudicar a capacidade do sangue de transportar oxigênio, podendo apresentar o risco de metahemoglobinemia, que pode afetar crianças e adultos com uma capacidade reduzida de produzir ácido gástrico. Uma elevação do pH em seus sistemas digestivos permite a proliferação de bactérias, aumentando a transformação de nitrato em nitrito. Quando o nitrito é absorvido pela corrente sanguínea, oxida o ferro na hemoglobina dos glóbulos vermelhos, para formar metahemoglobina, que diminui a capacidade da hemoglobina de transportar oxigênio. Em casos graves isto pode ser uma das causas da Síndrome do Bebê Azul, entretanto na maioria dos casos os sintomas são cansaço, letargia e uma sensação geral de mal-estar.

O conteúdo de nitrato em safras orgânicas é normalmente significativamente mais baixo que em produtos convencionais. Os governos da Alemanha e da França estimularam a conversão para a agricultura orgânica em determinadas áreas, numa tentativa de melhorar a qualidade da água, particularmente no que se refere ao seu nível de nitrato.  

Conclusão 

A FAO apresenta o problema de forma bastante sucinta: "Tem sido demonstrado que alimentos de produção orgânica têm níveis mais baixos de agrotóxicos e resíduos de drogas veterinárias e, em muitos casos, teores mais baixos de nitratos. A prática da alimentação animal seguida na condução de rebanhos orgânicos também leva a uma redução de contaminação por produtos de origem animal."

Os fatos mostram que o alimento orgânico tem benefícios significantes para a saúde porque tem quantidades ínfimas de patógenos e resíduos químicos e maior valor nutricional em comparação com o alimento de origem agrícola convencional. 

André Leu é presidente da Associação dos Produtores Orgânicos de Queensland e vice-presidente da Federação Orgânica da Austrália.

 

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